quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Resposta à não-pergunta.

'ahh, quanto querer cabe meu coração
ahh, me faz sofrer e que me mata
e se não mata, fere'

Esporadicamente tenho vontade de escrever pra você. Então escrevo.Porque nunca resisto em responder o que você não perguntou. Porque você inspira. Porque você me expira. Porque respiro rapidamente. Quando leio você.

Poeta, acontece assim: você aparece com suas palavras compridas e complexas e ciumentas e caóticas e depois some cinéticamente. Já entendemos o seu recado: você não permanece. As palavras permanecem. Mas você é o dono dessas palavras. O que você foi naquele segundo permanece. E, se parar pra ver, no fim das contas, 'aqueles segundos' é exatamente o que temos átimos de segundos cotidianamente. 
Onde quero chegar: você é mudança porque você é tempo, porque somos todos tempo, porque somos moléculas de tanta coisa que no fim não nos identificamos com coisa alguma. 
Gosto dessa bagunça organizada que você preenche tão bem dentro das linhas. 
Mas escorrega casualmente. Mas estagna temporalmente. Mas corre latentemente. 

Acontece assim: você chega de terno e gravata. Elegante. Confiante. Desconfiado. Deixa todo esse quarto zoneado. O personagem tumultuado. As questões sem respostas. As perguntas sem notas. E eu gosto dessa perdição santa. Dessa secura molhada. Dessa distancia atada. Dessas setas erradas. Do passo pra trás.

Sistematicamente começo com muitas palavras vorazes. E no transitar da mente ao corpo; da idéia ao papel - perco metade do vulcão, e a lava que chega ao solo já esfria - perco erupção.

Você some. Eu sumo. A gente se encontra nas virgulas ocasionais e propositais e infracionais e foda-se. 
Você some. Eu sumo. A gente permanece a gente.

rumo ao pólen. 


13/02/2014

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