terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

duasdesetedias.

Olha aqui, eu gostaria de expor umas coisas um tanto óbvias quanto a nós, mesmo que não sejam óbvias, elas deveriam ser, então não me venha com 'o que está claro pra você pode não estar pra mim', eu sei sobre o que falarei.
E começarei falando que estamos juntas pra estarmos juntas. Não é pra dormirmos e acordarmos juntas. Não é pra fazermos janta juntas. Não é pra recebermos visitas juntas. Não é pra assistirmos a um filme juntas. Não é pra rirmos juntas. Não é pra andarmos, juntas de mãos dadas. Não é só pra tudo isso
Estamos juntas pra conversar no fim do dia e, juntas, resolvermos os meus problemas e os seus problemas que se tornam nossos quando verbalizamos uma para a outra. Estamos juntas pra, juntas, nos abraçarmos no meio da noite e sentirmos, juntas, que podemos ficar tranquilas agora. Estamos juntas pra, juntas, enfrentar todas as críticas e agradecermos, juntas, a todos os elogios. Estamos juntas porque não suportamos ficar separadas, e ainda assim, estávamos juntas. 
Você não entende mesmo isso? As nossas moedas de troca devem ser diferentes pra gente se completar.
Terminarei falando sobre como é estar do seu lado: é engrandecedor. Mesmo que você me ache radical. Mesmo que você me ache ironica. Mesmo que você me ache perturbada. Mesmo que você não confie em mim. Eu sei que dou o meu melhor por você. Porque, se não existirmos juntas eu sei que existirei pela metade. O mesmo de você. O plano é estarmos inteiras. Juntas

"Brincar é condição fundamental para ser sério." Arquimedes

18/02/2014

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Resposta à não-pergunta.

'ahh, quanto querer cabe meu coração
ahh, me faz sofrer e que me mata
e se não mata, fere'

Esporadicamente tenho vontade de escrever pra você. Então escrevo.Porque nunca resisto em responder o que você não perguntou. Porque você inspira. Porque você me expira. Porque respiro rapidamente. Quando leio você.

Poeta, acontece assim: você aparece com suas palavras compridas e complexas e ciumentas e caóticas e depois some cinéticamente. Já entendemos o seu recado: você não permanece. As palavras permanecem. Mas você é o dono dessas palavras. O que você foi naquele segundo permanece. E, se parar pra ver, no fim das contas, 'aqueles segundos' é exatamente o que temos átimos de segundos cotidianamente. 
Onde quero chegar: você é mudança porque você é tempo, porque somos todos tempo, porque somos moléculas de tanta coisa que no fim não nos identificamos com coisa alguma. 
Gosto dessa bagunça organizada que você preenche tão bem dentro das linhas. 
Mas escorrega casualmente. Mas estagna temporalmente. Mas corre latentemente. 

Acontece assim: você chega de terno e gravata. Elegante. Confiante. Desconfiado. Deixa todo esse quarto zoneado. O personagem tumultuado. As questões sem respostas. As perguntas sem notas. E eu gosto dessa perdição santa. Dessa secura molhada. Dessa distancia atada. Dessas setas erradas. Do passo pra trás.

Sistematicamente começo com muitas palavras vorazes. E no transitar da mente ao corpo; da idéia ao papel - perco metade do vulcão, e a lava que chega ao solo já esfria - perco erupção.

Você some. Eu sumo. A gente se encontra nas virgulas ocasionais e propositais e infracionais e foda-se. 
Você some. Eu sumo. A gente permanece a gente.

rumo ao pólen. 


13/02/2014

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Vive melhor quem samba.

'quem se atreve a me dizer do que é feito o samba - nem se atreva a me dizer.'

falam demais de samba... talvez o samba da gente não seja simplesmente o gingado que é viver? que precisa de malemolencia, que te exige quase uma indescencia, uma coisa meio entre todos nós, eu e você?!
porque samba por samba é quase visceral - uma naturalidade de mexer os pés, pra levantar da cama, pra escovar os dentes com a musicalidade implicita nos movimentos. sabe o que é? acho que acordei tão bem hoje, de forma tão completa, tão pura, tão limpa, tão inocentemente ambiciosa que falar de samba é quase uma metáfora de eu não sei o que.

'eu vou no samba...'

penso na nossa velocidade no compasso da música, algo dois pra lá-dois pra cá, rodadinhas, caidinhas, escorregadinhas, pisões nos calos, rebolados, coxas roçando, corpos dançando, disputando espaço com outros corpos dançando, entendendo-se apesar da disputa que todo espaço é pra ser ocupado. 

'samba maioral, onde é que você se meteu antes de chegar na roda, meu irmão?'

saimos de onde pra chegarmos onde e porquê? as notas mudam com o passar dos passos e é assim que a composição coreografada torna-se concreta - torna-se canção, torna-se roda de sensação, de sapatos esfregando no chão - rastapé. 

'eu entendo o seu depois.'

quem vive, quem sambasambasambasambarsambou não cansa. por isso que se os pés doem, a gente só espera na sombra, mas não para; se existe som saindo dos batuques verbais, orais, percurssionais, ah... a gente entra na roda - e não quer sair. 
e se você, amor, põe líricos nas melodias, meus dias tornam-se lirios abertos: nem me atrevo a lhes dizer. 

'não, eu não sambo mais em vão.'


11/02/2014