quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Ângela tem asas.

"Felicíssimo, não sei por quê. Aceito? Não, por algum motivo secreto sinto uma grande carga de mal-estar e ansiedade quando atinjo o cume nevado de uma felicidade-luz. Dói no corpo o ar purificado demais." (p. 40)



Ontem e hoje deixei escapar três. A minha vontade com os três é tão latente que eles estão caindo por entre meus dedos. Sempre acontece assim, toda vez que começo a querer demais eu vomito essas vontades, literalmente, depreciavelmente.

Ontem e hoje nem precisei fazer os charmes que ensaiei porque simplesmente não consegui fazer coisa alguma. 

Mas já estou aqui, com a cabeça pronta e o fígado arregaçado. Dá-se um jeito. Algumas terças viram sextas e algumas quartas serão segunda - é a ordem desorganizada das coisas banais e frívolas que circundam nossas mentes enevoadas.
Quero dizer, você sabe o que quero dizer: eu aguento outra dessa, mas agora acredito que não consiga aguentar outra dessa. Aguento outra hora. Aguento amanhã de manhã. Mas agora não está no meu repertório. 

Na verdade, verdade mesmo, estou em um estado de ansiedade que pulsa meus dedos mais rápido do que devia. Tenho aproveitado tanto me aceitar que agora parece que todos decidiram gostar do que realmente sou. 
As coisas param quando não deviam parar; é pra testar a paciencia- essa ansiedade que vai me sufocar. 
Rimei sem querendo rimar, propositalmente. 
E minha bebida não para de fazer barulhos e soltar bolinhas - parece que bebo uma festa em cada gole. E quando suspendo o copo, quero voltar pra casa. 

Bom, e foi assim que terminei um desabafo começado pela manhã, com o sentido de ponta a cabeça, com necessidade de mudar as mãos.
Foi assim que as coisas concluiram-se na minha cabeça: bagunçadas, jogadas, invadidas, hipnotizadas.

... eu como realidade sou uma excelente fantasia. 

04/12/2013

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