segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Desse lado estão bem apertadas.

Não sei como funcionam ai as coisas do outro lado da rua, mas aqui do meu lado andam bem apertadas;
as crianças não param de chorar, as mulheres no meio da noite perdem a cabeça e os maridos, embriagados, com mancha de gozo e vomito na camisa, nem cabeças mais têm. acontece assim desse lado da rua: a gente sai de manhã, trabalha, não vê quem mora com a gente e trabalha pra gentalha que sustenta nosso pão amargurado. as crianças eu mando a deus dará, não posso ter apego por quem não posso alimentar. 
acontece assim desse lado da rua: eu vejo jovens que perdem o tempo buscando aproveitar as coisas que privaram da perifa mas burgues pode pagar. eu vejo bichos dividindo esgoto com velho pra molhar o pé na matina, e começar todo dia essa sufocante rotina. 
Não sei como funcionam as coisas do outro lado da rua, mas aqui do meu lado andam sub-adaptadas.

07/10/2013

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