quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ossos do Ofício.

Acho que me antecipei
te procurei sem saber o porquê
e tive uma leve coincidência estomacal: querer vomitar todas as palavras que acabei de engolir.
Tive também dores abdominais causadas pelo coração que enrijeceu com o tempo e os tombos;
aliás, pelos tombos fisicamente também não sou mais a mesma: as mãos não mexem mais com tanta frequencia e eu não sei fazer carinho de forma que não seja quando eu quero o tempo que eu quiser.
Os pés atrofiaram e agora também só andam até onde eu desejo.
Estou completamente cega quanto aos obstáculos que me impedem e eu, por tato, percebo quando devo desviar, o que, por um acaso, resultou em maior tato no decorrer dos anos; tenho observado mais tatilmente a vida.
Auditivamente eu me mantenho a mesma desde sempre: só ouvirei o que eu sinto, e além disso é todo resto consequencia.
Meu paladar continua curioso apesar de pouco aguçado por causados muitos sapos que já engoli. Continuo experimentando tudo o que me colocam à frente, porém algumas situações gastronomicas eu prefiro não repetir; provei e não gostei, um limão azedo.
 

Acho que me antecipei
mas quando eu procuro eu sei porquê:
toda vez que as coisas mudam de perfume confunde meu olfato ainda absurdamente atento, e eu preciso, por necessidade fisica-quimica-emocional-racional-sentimental procurar os cheiros novos e guarda-los, assim, para que eu não tenha medo de piscar e perder o que eu não posso perder. Seja você, seja a cena, seja isso tudo sete vezes. Seja, só as vezes, o cheiro do mar, olhar, ousar, causar, andar, continuar com as dores que me fortalecem e me obrigadam a me exercitar todos os dias: a mente  - Ossos do Ofício.

23/08/2013

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