quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Coçando.

metaforicamente:
eles acendem o último cigarro e começam a brigar pra saber quem dará o último trago.
e quando cansam de buscar conclusões estúpidas, percebem que o cigarro queimou e ninguém bronzeou o pulmão com o primeiro trago.

17/09/2013


você me inspira e eu adoro estar inspirada
- por favor não vá embora de novo. escreva mais um pouco, porque preciso das suas palavras pra me sentir revitalizada.
me inspira seu jeito poéticamente métrico que eu odeio, mas parece ser feito para você por onde e como quiser.
você é metricamente abstrata, uma imagem literária
- você me inspira, e eu adoro estar inspirada. 

18/09/2013

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

hoje acordei tarde.

pereço em ser leve, e por eu ser minha acabo ficando pesada.
mas eu não canso. jamais canso.
eu quero falar com você; falar de você, falar para você - quero te ouvir.
eu não quero que você fique aparecendo e de manhã indo embora; eu quero que você decida me incomodar ou me acomodar. 
quero fazer diferente dessa vez.
eu a ouço como auto-tortura, você entende? ela me faz acreditar que pode ser diferente: e eu gosto disso, dessa inconstância, dessa incerteza solitária e fumegante.
um beijo de sol num teto de chuva: meu interior parece uma casa pegando fogo. 
nas curvas baseadas, eu não consigo parar de tragar quem lê. 
não. eu não como disso - de escrever, mas definitivamente eu vivo disso.
é como se esse vácuo de palavras me fizesse virar do avesso.
eu mais escrevo o que vivo do que vivo do que escrevo
- e assim parece perfeito pra mim. 


15/09/2013

terça-feira, 10 de setembro de 2013

marinheiro de palavras

amor, eu quero ir pra casa. 
casa: aquele lugar que a gente quer estar, ficar, passar. 
amor, eu quero fugir dos problemas, sem graça nem pena - eu só sei que não quero ficar; quero poder escrever em qualquer lugar e sujar as esquinas, esquivar de coisas que me façam derrapar. 
amor, não me conserte a cada tombo, espere mais um ponto para entender se já é final. não me queira mal. não me queira bem. não me queira sua, que espalhafatosa perco as letras em qualquer lugar.
Não queira nada.
E, quando me visto de contos e me acho apenas nos intervalos textuais, como proceder respondendo o que passa quase despercebido pela multidão? Eu sou multidão, sou facetas estranhas em casos perdidos e músicas baixas, e em um tom de azul Céu, tento rabiscar em todos os vidros que me enxergarão. Cansei de desenhar do mesmo jeito, e, começando pelo começo, altero os materiais que me disponibilizo; quem sabe eu também não mude a matéria e as coisas comecem a ter um sentido prático (ou patético) no meio do turbilhão exaustivo que me assola no fim das noites quando a minha cabeça quase relaxa e eu perco as explicações menos banais dessa quantificação absurda e perfeccionismo abstrato que corrói todos os ofícios.


Setembro de 2013.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ossos do Ofício.

Acho que me antecipei
te procurei sem saber o porquê
e tive uma leve coincidência estomacal: querer vomitar todas as palavras que acabei de engolir.
Tive também dores abdominais causadas pelo coração que enrijeceu com o tempo e os tombos;
aliás, pelos tombos fisicamente também não sou mais a mesma: as mãos não mexem mais com tanta frequencia e eu não sei fazer carinho de forma que não seja quando eu quero o tempo que eu quiser.
Os pés atrofiaram e agora também só andam até onde eu desejo.
Estou completamente cega quanto aos obstáculos que me impedem e eu, por tato, percebo quando devo desviar, o que, por um acaso, resultou em maior tato no decorrer dos anos; tenho observado mais tatilmente a vida.
Auditivamente eu me mantenho a mesma desde sempre: só ouvirei o que eu sinto, e além disso é todo resto consequencia.
Meu paladar continua curioso apesar de pouco aguçado por causados muitos sapos que já engoli. Continuo experimentando tudo o que me colocam à frente, porém algumas situações gastronomicas eu prefiro não repetir; provei e não gostei, um limão azedo.
 

Acho que me antecipei
mas quando eu procuro eu sei porquê:
toda vez que as coisas mudam de perfume confunde meu olfato ainda absurdamente atento, e eu preciso, por necessidade fisica-quimica-emocional-racional-sentimental procurar os cheiros novos e guarda-los, assim, para que eu não tenha medo de piscar e perder o que eu não posso perder. Seja você, seja a cena, seja isso tudo sete vezes. Seja, só as vezes, o cheiro do mar, olhar, ousar, causar, andar, continuar com as dores que me fortalecem e me obrigadam a me exercitar todos os dias: a mente  - Ossos do Ofício.

23/08/2013