domingo, 23 de junho de 2013

entramos no inverno.

As vezes me sinto um pouco mais artista. Quando escrevo assim, com a alma morta de forme, cigarros e álcool me consumindo pela manhã. Gosto disso: de ser um pouco artista.
A gente sempre, sempre consegue estragar alguma coisa no dia... Que gentileza é essa?!
É como na música, eu olho ao redor e parece realmente que nada interessa, e parece que nada é nosso, parece que as coisas andam de forma disléxica.
Escrevo, escrevo, escrevo - enfim quase voltei a escrever, o que já é um grande passo pra essa solidão gramatical que se instala as vezes quase sempre nessa rotina tediosa.
As vezes a lua aparece, as coisas ficam mais sintéticas, simplificadas. Bonitas.
As vezes faz um tempo feio, como hoje, que foi total decepção ao abrir a janela, mas com o passar das horas o clima tomou conta do clima, interno, intenso, eterno. Penso.
Hoje acordei pensando em você; mas você mesmo, aquela que alimentou meus dias por dias e dias, e me dei conta que não, não é mais você quem tem alimentado meus dias e dias, e isso é ótimo apesar de eu saber que vai passar, que seja ótimo enquanto dure.
Quero falar sobre a gente. Sobre como talvez a gente dure muito pouco e sejamos apenas uma transição de toda dor pra tudo de novo.
Acredito que sejamos essenciais nesse nosso momento.
Só não gosto da ideia de que uma hora tudo vai realmente acabar porque acabou de começar e eu já sei exatamente como vai ser o desenrolar da história, e isso me dá uma fome de derrubar esse muro já construido e ao mesmo tempo um medo paralisante de correr contra o muro e me quebrar inteira. Então estou assim, meio estranha, meio me corrigindo, meio me permitindo. E queria saber como você está também, porque tudo o que eu sei até agora é que tenho uma interrogação imensa estampada na testa e nada está me respondendo pergunta alguma.
Estou em uma fase das portas se batendo com o vento, você entende? Como se eu soubesse que elas estão abertas, mas a qualquer momento pode bater um vento um pouco mais forte e fecha-las, como se fossem caixas e mãos e falando em mãos, gosto de toques, de poder segurar essas portas como se elas fossem fechadas ou não por mim; as vezes, quase nunca, me sinto como o vento.
Enfim, é isso, de novo eu queria falar algumas coisas que engasgam quando você tá perto.

23-24/06/2013

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