domingo, 30 de junho de 2013

reticências.

É quase só isso, mas ainda falta pimenta.
Seria muito clichê se eu dissesse que quero te ver, e o fato de você tá longe é uma merda?!
Porque mesmo que você quisesse também, hoje vou dormir na cama que tem seu cheiro embaixo das cobertas e isso é muito injusto com a dona da casa.
A propósito, ouvi dizer que o clichê é uma verdade dita repetidas e repetidas e repetidas vezes.
Você disse que 'dai' não entram nem saem sentimentos; tudo bem por mim, desde que você converse com os meus enquanto fumam do outro lado da rua observando sua indiferença entrar e sair da área VIP.
Soube, dia desses, que é se perdendo amores que se ganha poesia; discordo: acredito que não seja necessário ter amor para se ter poesia, e essas palavras são a prova viva de que sonho e líricos não andam de mãos dadas.
(mas ainda podem trocar olhares, do outro lado da rua).
Só volte, e eu prometo deixar essa coisa de meias palavras gastas se perder no meio das suas pernas, e prometi a mim mesma que não relataria sobre/para você, mas se a noite cai e o frio desce, seu abraço me aperta sem você por perto, eu não tenho muito o que fazer, a não ser: escrever
 
o tempo exato de um cigarro.

26/06

tudo acabou num inferno.

tudo acabou num inferno.
eu tenho medos! medo o tempo todo de tudo! sou assim porque eu sou calejada de pessoas como você que tentam me entender e me perguntam, mas não me ouvem. elas na verdade não estão interessadas em saber como eu me sinto, como eu me falo! sou calejada de gente que quer fingir conhecer o próximo mas não sabe sequer o sobrenome do outro, to cansada de assistencialismos amigáveis! eu não quero pessoas que precisam de mim ou que eu precise delas, quero pessoas que me queiram e que eu as queira, em momentos bons ou ruins ou fantásticos ou ridículos! e ser a primeira da lista não me move um músculo, mas saber que, mesmo que de meses em meses ainda estaremos com a certeza que a amizade estará presente. as coisas não deveriam funcionar de forma futurista ou romântica. nesse momento, os planos que eu faço não serão os mesmos de daqui duas horas, talvez. e não é conformismo aceitar que as coisas mudam, é só realidade: as coisas mudam, e a gente não ter domínio sobre isso é o mais natural delas.
a ofensa que eu sinto todos os dias não está relacionada só comigo ou com você ou com ele ou ela, mas com a incapacidade que temos de fazer tudo funcionar como a gente gostaria, e jogar isso na minha cara não vai facilitar seu lado de satisfazer o ego e dizer que houve sinceridade. eu não quero sinceridade em meio a agressões; eu preciso de companheirismo e está incluso nisso toda a liberdade que a gente tem com o outro de ser o que se é, e não o que gostaria que fôssemos, e está nisso a amizade: em sermos nós mesmos, com todos os defeitos e medos e folgas e TOC's! isso não implica aceitar todas as groselhas e os absurdos alheios, mas de achar soluções para o outro que derivem do outro, já que ninguém pode conhecer o próximo melhor que ele mesmo, concorda?!
eu só queria que você entendesse que eu sei das coisas que eu passo, eu sei das merdas que eu fiz, eu sei das grosserias e dos pés que já bati; sei de mil defeitos meus, e mil defeitos que também não sei, dos meus duzentos erros por segundo. mas olha que coincidência: você é assim também, e explicar os meus erros não vão resolver ou justificar os seus. as nossas prioridades não são as mesmas, e talvez nem nossos interesses. mas consta que respeitamos e apoiamos as decisões concretas do outro, porque, mesmo quando o outro faz toda a merda do mundo, é ele quem resolve tudo o que passou, porque, apesar de eu saber no que resultou eu não sei os passos que foram dados, apenas e exclusivamente sei dos passos que foram relatados.
mais uma vez me senti uma criança digna de pena, fraca, incoerente, como todos os dias tentam jogar na minha cara: e eu tento, todos os dias, contar com pessoas que me façam mais forte e corajosa, pessoas que se disponibilizem pra mim assim como me disponibilizo à elas, sem cobranças nem aceitações absolutas, mas de forma natural, em que o companheirismo seja tão grande a ponto de palavras serem a sobremesa de todas as sacações como prato principal. eu não quero me disponibilizar para alguém que aceite todas as minhas justificativas, muitas delas são abusivas, mas alguém que ouça minhas justificativas e esteja ciente que, da situação, estas sejam apenas porcentagem.
eu tenho necessidade do novo porque os velhos que eu já descobri, com toda certeza, busco preservar aqueles que ainda vejo 'identificação'.
você tem ideia de quantas vezes eu já me questionei todas as perdas? o extremismo, o individualismo, o egocentrismo, o egoísmo, o absurdo?! mas nenhuma dessas vezes eu questionei o meu companheirismo para com os outros, porque, apesar de eu não disponibilizar 'minha agenda' para todos que eu conheço, eu disponibilizo o tempo que a pessoa/situação me requer, seja por querer, por precisar, por foda-se. eu tenho a mínima ideia de como eu sou, e ser tratada como se eu tivesse perdida em mim por não compartilharmos do meu mesmo ângulo é desesperador!
é desesperador você acatar à alguém na sua vida, um casamento, e de repente saber que nada disso é verdade, que você em tempo integral tem sido analisada. eu cansei de ser analisada o tempo todo!
eu não aguento mais me julgarem sem ao menos ouvir o que eu tenho pra dizer; eu não quero só que me olhem e digam o que acham de mim! eu não preciso que me digam o que acham de mim! eu sei o que eu sou e até onde eu posso/quero/preciso ir.
obrigada por tentar, a todo instante, aumentar meus limites, mas apontando todas as minhas falhas não será a forma se você não tentar também perguntar meus motivos e apontar propostas para que eu seja uma pessoa melhor e não consciente dos meus tropeções: preciso de companheiros que me mostrem além do óbvio, aquilo que eu não vejo no espelho todos os dias.
quero que as críticas soem de forma preocupada e não sistemáticas e teóricas de acordo com o que você ou vocês pensam de mim. aqueles que me conhecem sabem porque tenho tantos calos e sabem que, eu vou, mas eu volto. uma vez eu ouvi 'enquanto eu estiver com você, não darei seus 5 minutos', e mesmo assim, me dão muito mais que cinco minutos, e essa não foi a primeira vez nem será a ultima, todos me dão cinco minutos e eu não tô dizendo que a culpa seja das pessoas, mas também não é única e exclusivamente minha. e não, eu não tô 'tirando o meu da reta', mas não assumirei responsabilidades que escapam do meu colo. as coisas não são como eu, você, foda-se gostariamos porque as coisas dependem de algo além da gente, seja do forno da padaria ao abraço da mãe no fim da noite, do povo unido, da educação, da paciencia, do amor, dos livros, etc, etc. se temos que viver com outras pessoas, não dependemos de nós, e saber dos meus erros não vai resolve-los. eu tento, diariamente ser uma pessoa melhor, pra mim mesma, que de extremismo em extremismo, aperto tanto nas mãos que escapa entre os dedos.
e falei tanto de mim porque é só por mim que posso responder.
e eu quero que você se sinta confortável de me ligar no meio da noite pra falar que o dia foi incrível assim como foi uma merda. quero que você saiba que não são todos que vão embora da minha vida, mas todos que permanecem são aqueles que não tentaram me moldar. não existe alguém que me entenda ou aceite como eu sou, 100%, sem questionamentos. sou muita coisa que muita gente não gosta ou você não gosta ou concorda. mas todos somos algo que alguém não concorda.
fica tranquilo, eu não estou chorando lágrimas de sangue nem me desfazendo, tô pensando em tudo o que foi dito, mas eu nunca falei também que sou uma pessoa fácil ou agradável.
se você pensa em uma luta, algo comum a todos, algum momento que eu precisarei ser exata a todos: já estamos nesse momento, e eu tento, da minha forma, não cometer os mesmos erros, mas são viés diferentes que nós tomaremos perante determinada situação.
e eu comecei a escrever só pra explicar porque eu fiquei tão brava com tudo: eu não fiquei brava, eu fiquei chateada. chateada por saber que, apesar de você me conhecer tão bem, você não me conhece nada, e que a culpa não é só sua, é minha também, mas eu não sou uma pessoa terrível como foi destacada a noite toda, e a gente não pensa da mesma forma, não passamos pelas mesmas dificuldades, mas eu não quero ser essa pessoa abominável que foi ditada durante horas porque eu não sou essa pessoa.
talvez, assim como você, eu não saiba me expressar: precisamos conviver com outras pessoas além das que já estamos adaptadas, sair da zona de conforto da qual nos encaixamos. e isso é exacerbadamente plausível: que sejamos como somos por medo de sermos coisas diferentes. ou talvez sejamos assim porque já fizemos e recebemos tanta merda que nos tornamos mais cautelosos. talvez tanta coisa, talvez tanto 'se'... mas é assim, não poso garantir que estaremos bebendo um vinho daqui cinco, seis meses, semanas, horas, minutos. eu não posso garantir que você não vá cansar de mim e vá embora daqui cinco, seis meses, semanas, horas, minutos, e não posso garantir que vá ficar nos seus planos por muito tempo. mas acredito que sejam das confissões, das liberdades, das críticas e dos momentos que o tempo se alonga, e enquanto houver respeito com os meus limites e minhas falhas e busca, contínua, de melhora por ambas as partes que o futuro vai ficando cada dia mais longe e o presente cada dia mais perto.
eu não desejo afastar nem perder as pessoas, elas vão assim como eu vou, e muitas permanecem assim como eu permaneço: é natural e abstrato que os rumos sejam diferentes mesmo que a identificação com a situação seja tão concreta e real!
eu sinto muito por muitas das coisas que disse hoje. espero que você sinta muita por muitas das interrupções, porque o primeiro passo é aprender a ouvir (e você viu o quanto é ruim ser interrompido). eu sinto muito pelas atitudes mesquinhas que eu tenho no dia a dia. eu sinto muito se parece que eu nunca estarei presente. eu sinto muito se parece que o meu cuidado é algo estranho aos cuidados que você vive(u). eu sinto muito se nunca tenho pretensões quanto ao futuro e se não cito nomes e se não sei o que quero. eu sinto muito pelas ideias individuais que eu tenho. eu sinto muito pelas falhas nos textos e nas atitudes.
mas eu sinto muito mais por você ser exatamente igual e achar mais fácil apontar em mim o que você pode apontar no espelho.
eu sinto muito por entendermos o que vivemos de formas distintas e talvez opostas e mesmo assim, eu sinto muito por não me sentir confortável hoje e deixar passar muitas ocasiões em que eu quis, com toda força me expor e não pude. eu sinto muito por muita coisa, e mesmo assim, obrigada por outras. 




PS: olha que coisa, começou a chover e a primeira coisa que pensei foi: ótimo, eu sei que você já chegou em casa.


1/7/13

terça-feira, 25 de junho de 2013

é pra ler ouvindo Zé Ramalho!

 (como eu escrevi, sem acentuação)

EU TENHO PRESSA!
Sinto que vou me enforcar nessa intensidade de tudo o que eu sinto o tempo todo!
Sinto uma agonia, vontade de vomitar com essa corda no pescoço, que não me deixa agir, que não me deixa falar!
E em um momento de total insensatez você escreveu e me mostrou.
Foi aterrorizante saber que eu tô bem porque você tá bem! E isso é fantástico dadas as condições pseudo-históricas!
E não só você, a irmã que adotei também! Como nos contamos, como se entregar e se dispor é bom! Como as coisas funcionam quase musicalmente aos meus ouvidos nesse momento.. São sussurros e notas graves, fortes, raivosas, desesperadas e canto lirico da mais pura pacifidade que pode se instalar.
Eu não sei se estou bem, mas estou, com certeza, alguma coisa muito intensa! Muito intensa, muito intensa.
E olha que estranho: as palavras não querem sair como deveriam, de forma mais rápida, e mesmo não sendo todas elas compativeis com tudo o que quero dizer elas encaixam-se perfeitamente entre as, vírgulas,.
Eu tô me sentindo nova! Tô me sentindo permissivel. Tô me sentindo viva, vi va, v i v a!
"eu tenho a palavra certa pra doutor não reclamar."
Hoje estou sentimental demais, correndo o perigo de perder a razão em meio carnificina que fizeram com o tormento que eu tinha. Mas não estou correndo do perigo, hoje eu tenho me jogado do penhasco a cada palavra. Hoje tenho me jogado no buraco a cada arfar, e as coisas estão perdendo sentidos e ganhando sentidos e sentindo sentidos e sentindo, sentindos...
Me pergunto se quem me lê também dança a dança louca das borboletas e sente todas elas no estomago como eu também sinto, como um espiral, aspiral, fumaça de um arco-íris, cê sabe o que é?!
Vou-me, me amando de novo, dia após dia, rotineiramente, tediosamente.

16:30h, 26/06/2013

domingo, 23 de junho de 2013

entramos no inverno.

As vezes me sinto um pouco mais artista. Quando escrevo assim, com a alma morta de forme, cigarros e álcool me consumindo pela manhã. Gosto disso: de ser um pouco artista.
A gente sempre, sempre consegue estragar alguma coisa no dia... Que gentileza é essa?!
É como na música, eu olho ao redor e parece realmente que nada interessa, e parece que nada é nosso, parece que as coisas andam de forma disléxica.
Escrevo, escrevo, escrevo - enfim quase voltei a escrever, o que já é um grande passo pra essa solidão gramatical que se instala as vezes quase sempre nessa rotina tediosa.
As vezes a lua aparece, as coisas ficam mais sintéticas, simplificadas. Bonitas.
As vezes faz um tempo feio, como hoje, que foi total decepção ao abrir a janela, mas com o passar das horas o clima tomou conta do clima, interno, intenso, eterno. Penso.
Hoje acordei pensando em você; mas você mesmo, aquela que alimentou meus dias por dias e dias, e me dei conta que não, não é mais você quem tem alimentado meus dias e dias, e isso é ótimo apesar de eu saber que vai passar, que seja ótimo enquanto dure.
Quero falar sobre a gente. Sobre como talvez a gente dure muito pouco e sejamos apenas uma transição de toda dor pra tudo de novo.
Acredito que sejamos essenciais nesse nosso momento.
Só não gosto da ideia de que uma hora tudo vai realmente acabar porque acabou de começar e eu já sei exatamente como vai ser o desenrolar da história, e isso me dá uma fome de derrubar esse muro já construido e ao mesmo tempo um medo paralisante de correr contra o muro e me quebrar inteira. Então estou assim, meio estranha, meio me corrigindo, meio me permitindo. E queria saber como você está também, porque tudo o que eu sei até agora é que tenho uma interrogação imensa estampada na testa e nada está me respondendo pergunta alguma.
Estou em uma fase das portas se batendo com o vento, você entende? Como se eu soubesse que elas estão abertas, mas a qualquer momento pode bater um vento um pouco mais forte e fecha-las, como se fossem caixas e mãos e falando em mãos, gosto de toques, de poder segurar essas portas como se elas fossem fechadas ou não por mim; as vezes, quase nunca, me sinto como o vento.
Enfim, é isso, de novo eu queria falar algumas coisas que engasgam quando você tá perto.

23-24/06/2013

terça-feira, 18 de junho de 2013

estou parcialmente de volta, pode?!



Pata Quebrada.
Ela deve estar pensando 'ih, apaixonou'.
Mas ai eu me pergunto, e quando não?!
Me apaixono assim pelo tesão do momento.
Me apaixono assim pela insônia presente.
Me apaixono assim, meio sem jeito, com a pata quebrada, com a mente engessada, com os problemas por ai, assim.

Sabe o que acontece?! Sinto falta de escrever.
E por me sentir mais livre e mais solta de um lado, me prendi de outro - acho que o nome disso é carência.
E eu falo demais. Bebo demais. Brinco demais. Reajo de menos - broncas desnecessárias, eu já sei qual meu maior problema (além da pata quebrada).
Você bem que podia me ver de novo, sem me dar esse trabalho de pensar se você quer ou não ser encontrada. E se me pedirem pra deixar fluir e deixar ir, eu não deixo. Sou 8 e 80, não sou extremos mas não os deixo de ser.
As palavras me agradam, as comidas me agradam, e podem me agradar também seus jogos se eu puder participar.
Me deixem gritar!
E acho que no fundo só queria escrever;
E falar para alguém sobre você.

17/18-06-2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Quem sabe eu volte cedo. Ou não volte mais.

"Não vou querer ser o dono da verdade
Ainda há surpresas mas eu sempre quero mais!
É mesmo exagero ou vaidade
Eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz.
Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás
Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo, eu já roubei demais.
Tantas coisas fui acumulando em nossas vidas
E tô sentindo falta de um vão pra me esconder
Aos poucos fui ficando mesmo sem saída
Perder o vazio é empobrecer..."

P a u s a
Preciso de uma pausa disso.
Precisoparardeescreverpravocê.
Dia e noite, eu poderia fazer outras coisas, brincar de outro jeito.
Não posso mais, simplesmente, dispor o tempo que não tenho pra coisas que nunca terei. Tenho brincado de utopia dia e noite.
Eu sinto tanto por mim mesma, é horrível ter que parar de jogar pra quatro ventos as palavras que me incomodam.
Mas ontem eu guardei as fotos.
Hoje, guardo as palavras.
E tudo o que me restará serão suas letras no meu braço, que agora não saem mais, nunca mais. E eu as verei todos os dias, todos os segundos, e só pensarei que um dia podemos voar juntas, mas esse dia não é hoje, e que assim seja.
Pausa
Me darei uma pausa de dores, de sabores que não atingem mais o meu paladar pouco aguçado.
Te desejo toda a sorte do mundo.
E me desejo calma.
E um pouco mais de paciência.

PAUSA.

14:14h, make a wish, baby.

03/06/2013