quinta-feira, 16 de maio de 2013

G R I T A


Então vida, só uma pergunta: é assim que vai ser? 
Tudo bem pra mim, já que você tá se fodendo pras minhas situações, vou me foder pra elas também. 
Quer sair comigo? Eu saio. 
Quer me jogar num quarto? Eu fico. 
Quer me contratar para o que eu não quero? Aceito. 
Quer me por pra estudar tudo o que não se relaciona a mim? Estudo. 
Será que assim as nuvens saem e um quase sol tome conta da fase de merda?! Porque, sabe, eu não vou mais brigar por coisas melhores; todos que lutam pelo o que querem só se machucam. Eu não vou mais procurar verbos ou locações ou empregos. Não vou mais procurar razões pra ficar bem, só quero ficar a partir de agora. Não vou mais procurar cheiros ou necessidades ou instantes que valham, só quero instantes agora, porque se isso me manter na quase sanidade, eu topo, já que tudo o que almejo tem me levado pra um abismo insano de fracassos. 
Fotos? Não fotografo.
Amar? Não amo.
Querer? Não quero.
Mas eu escrevo porque isso nada nem ninguém pode tirar de mim. Eu escrevo no desespero de ser feliz. Escrevo no desespero de almejar possibilidades. 
Abrirei as portas, as janelas, as pernas. 
Saudade? Já não sinto.
Sono? Já não sinto.
Cansaço? Já não sinto.
Já não me sinto mesmo, pra que insistir numa abstinência infinita? Eu já não sinto...
Uma coisa boa essa merda de fase tem: palavras. 
E que se foda, de novo e mais uma vez. 

16/05/2013

quarta-feira, 15 de maio de 2013

You've Got The Love


Qual significado da palavra desespero? Está relacionada a inspiração? Porque é quando mais preciso sumir com as palavras que elas mais vêm a tona e colam-se nas folhas como se a necessidade vital se tornasse um suicídio. 
Acabo de me dar conta do quão mimada e fraca eu sou, mas e daí? As coisas têm que melhorar, e eu já expliquei hoje qual a força que essas palavras têm.
Não sei. Não sei de mais nada. Não sei de mais ninguém. Tá estranho me olhar no espelho. Ta estranho falar em voz alta o meu nome. Tá estranho acordar de manhã. Não queria acordar de manhã amanhã. Não quero ter responsabilidades. Não quero ter que abaixar o volume. Não quero ter que dormir apertada. Não quero ter que encaixotar tudo de novo, quase um caixão a céu aberto. Não quero ter que domar palavras nem suprir medos. Não quero ter que reler meus atos. Não quero ter que escrever capítulos improvisados. Eu não quero ter que me mudar da zona de conforto.
E parece que é tudo um drama barato em cima de uma situação simples e as tempestades em copos de água são apenas uma forma de por novelas nas novenas. Não é assim que funciona. Eu não sei como funciona, mas eu sei que não é assim como vocês estão vendo. Eu sei que preciso que vocês repitam junto comigo que tudo vai ficar bem, por favor, repitam comigo e quem sabe assim as coisas fluam. 
A vida tá me coagindo, e eu não sei reagir perante um enquadro. Não sei reagir perante tanta coisa que acho que o que eu sei é não reagir. 
Por favor, repitam comigo que vai dar tudo certo e que vamos todos ficar bem! Não sei até que ponto as coisas são invenções minhas e qual ponto é real, mas eu sei que não to gostando dessa mistura devastadora. 
A gente erra tentando acertar e sempre acerta sem querer: é uma puta falta de sacanagem viver. 
E implorando por descanso eu finalizo: sono, é você?! Não me deixe mais uma noite, tem muita gente fazendo isso sem a sua ajuda. 

16/05/2013


Novo Documento de Texto.


Porque porra eu consigo saber quando você não tá bem!? É quase um desaforo do Universo: quanto mais longe, mais perto, renegando as leis da fisica, deixando a quimica, a nossa quimica, como a essencia da situação. 
Deixa eu te abraçar? Porque, sabe, merda por merda todos nós temos. Saudades todos nós temos. Não tá fácil, pra ninguém, mas se você deixar eu posso te abraçar e dizer que sim, vai ficar tudo bem.
Eu lembro de quando começamos tudo já com uma data de partida, e essa data deu errado e se tornou o que é hoje: uma data de partida inconstante, que você vai e volta; que eu vou e volto. 
As coisas desandam todos os dias quando quem mais amamos não está pra nos receber quando chegamos em casa - é desesperador que as pessoas próximas não sejam as pessoas que ansiamos e nem entendam que, não é que não gostemos delas, mas precisamos de algo mais, e esse algo mais não está a nossa disposição. Não na hora que queremos, não do jeito que queremos. E fomos criadas pra ter tudo nas mãos, porque a gente sabe a força que a gente tem e que a gente pode ter! 
As vezes essa força escapa no meio da neblina e fica a esmo, andando por ai procurando alguém que esteja aberto para recebe-la, portanto, querida, hoje eu não vou falar do que eu quero que você seja pra mim, mas do que eu quero ser pra você. E se você quiser, eu estou aqui, de braços abertos.
Talvez todas as palavras, e quase certeza, não sejam pra mim. Mas eu sei que essas são pra você: unica e exclusivamente pra você.
Porque nesse nosso infinito interno as coisas são um tanto quanto muito bagunçadas, todos os dias, e ser capaz de por ordem no que não deveria ter é uma tarefa de gigante 
"e nessa terra de gigantes que trocam vidas por diamantes, a juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes."
Se estamos velhas ou novas demais é a parte do que realmente somos, e somos intensas demais pra esperar o que valha, queremos agora, batemos os pés, o martelo, as mãos. Quebramos os copos, os corpos, as cores. 
Quem sabe um dia não possamos voar juntas? E quando esse dia chegar iremos aos decks e portos e cais só pra estacionar e escolher novos roteiros.
Eu tô todos os dias torcendo por você, espero que você saiba.
Eu to aqui ainda, não to?! Vai ficar tudo bem. Tudo sempre fica bem porque a gente sempre dá um jeito. 

15/05/2013

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sou devota dos meus segredos.


Procurar casa nova, procurar emprego novo, procurar amores novos:
Estou em uma fase decisiva na minha vida, e não me sinto preparada pra isso. 
Sinto que se eu tiver que mudar tudo de novo será um pouco mais radical. Sinto que nada mais tem me prendido aqui: nem sonhos, nem objetivos. Tudo o que eu tenho recebido são noites mal dormidas, e talvez esteja na hora de dormir em outros cômodos  Não adianta me trancar em casa e chorar e lamentar e quebrar meio mundo, eu preciso reagir, e preciso tirar forças de algum lugar que com certeza não é aqui. 
Quem sabe eu não volte de onde vim? Quem sabe retroceder não seja a coisa certa? Acho que é assim mesmo, as vezes a gente corre até o topo pra tropeçar e descer de novo, tudo de novo, rolando, machucando, atropelando. Quem sabe não seja isso que falta: arranhões mais profundos e voltar pro colo de mãe? Pois bem, aqui estou eu admitindo todas as minhas fraquezas, todas as minhas derrotas, todos os tapas na cara. E que venham mais no lugar certo, o que não dá pra fazer agora é sentar e esperar. 
E cá estou eu, mentindo mais uma vez que consigo e afirmando com a certeza que eu, certamente não tenho, que vai dar certo. Quer saber? Dessa vez nada mais vai dar certo, e eu não tô realmente me importando.
Eu cansei de ser forte o tempo todo. Cansei de recuperar forças - 'game over', e eu aceitarei isso, se não se importam: eu não tenho forças pra continuar, entendam isso - eu tô cansada demais. 

13/05/2013 

sábado, 11 de maio de 2013

"E, que amo-te, de qualquer forma!"


"Ela me acusa e o meio de me defender é escrever sobre ela.
(...)
Cada coisa é uma palavra. E quando não se a tem, inventa-se-a.
(...)
, a eternidade é o estado das coisas neste momento.
(...) 

Não, não é facil escrever. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados.
(...) 
Isso será coragem minha, a de abandonar sentimentos antigos já confortáveis.
(...)

EXISTIR NÃO É LÓGICO."

A hora da estrela - Clarice Lispector



sábado, 4 de maio de 2013

tão confortável quanto um moleton.

eu gosto de você assim: blusa regata, moleton, meias e cabelo bagunçado
: cara amassada
: alma lavada.

quero te ver mais vezes com a leveza de acordar sem pressa, sem culpa.
jeito malemolente de quem já levanta apaixonante.
Como você consegue isso? Ser surreal desde o momento que abre os olhos e eu me vejo sem jeito de te ver dormir.
Como pode uma paixão latente que me assola todas as manhãs!?

Eu lembro da primeira vez que estivemos juntas - na cama que não era nossa, nas letras do filme que acabara e a música que repetia insistentemente. Lembro do primeiro vinho que tentamos mas não conseguimos entrar no barco porque a consciencia se esvaia na mesma velocidade do alcool da garrafa - insano.
Insano como eu tento escrever aleatoridades e me vejo pensando em você e escrevo e ai já é tarde demais porque o que era avulso tornara-se especifico.
E as vezes eu até gosto disso, porque voltei a escrever. Passei por uma semana sem palavras e isso me dá um vazio incerto e eu odeio incertezas.
Odeio te esperar várias vezes no mesmo dia, sem você saber que deveria chegar. Mas eu espero que o telefone toque, que o e-mail chegue, que a campainha soe; então eu lembro que você nunca pisou aqui.

Sempre falo que eu nunca sei ao certo, sempre começo com 'Não sei...' Na verdade, eu pouco sei, mas sei das coisas que eu não gosto, como a dor nas mãos por escrever a livre punho. Não gosto de ter horários cercados porque gosto de um tempo livre de mim para mim. Não gosto de ouvir músicas e ter lembranças - não gosto. Não gosto da distancia. Que se instalou de repente.
Que ficou pra sempre.

04/05/2013