sexta-feira, 19 de abril de 2013

ouça o que eu digo: não ouça ninguém!




P I
Soltei meu amor nas ruas: mandei ele passear
Cansei de segurá-lo na coleira: enjaulá-lo no meu peito
As coisas agora estão diferentes, os valores perderam (ou perderão?) seus valores!
Joguei alto meu amor ao sereno: pedi para ele gripar
Peguei todas as cobertas que eu tenho: choro um pouco e me deito.
As coisas agora estão diferentes, mais confusa me largo e me abro aos poucos.
Criei todas as palavras amáveis: mas não as uso por precaução
Abracei todas as estrelas cadentes implorando por perdão.
P II
Quero uma folha diferente para cada dia do ano. 
O desenho está de cabeça pra baixo assim como a minha vontade de ficar e os padrões que dou a letra. Deixei de lado a estrutura e agora quero contexto!
"Os que são de casa parecem mais perigosos" - dá um desespero interno ter que firmar a identidade pessoal em que esse absurdo niilismo nos leva à uma secularização do ego, não é?! É tão desesperador que um sorriso de grafite me parece mais convidativo que as minhas palavras loucas para serem vomitadas a ponto de borbulhar e perder o sentido:
tudo 
é
instável -
transitório 
- flexível.

Março 2013

Um comentário:

  1. Gostei da disposição das palavras e do sentido que o texto quer passar, o texto consegue passar essa náusea, esse êxtase quase aquele sentido pós-orgástico, aquele abraço que não e cativeiro, mas um convite a liberdade. Contudo acredito que por muita liberdade o texto se perda um pouco la na segunda parte, acredito que tenha sido proposital, se eu fosse uma escritora seria logo um time inteiro dessa massa encantada e louca, como não sou me contento em te admirar e confessar aqui e ali o meu platonismo por vc!

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