sexta-feira, 19 de abril de 2013

eu não conheço todas as flores,


mas vou mandar todas que eu puder. vivemos tempos de loucos amores, só é feliz quem sabe o que quer."

estou eu cá, morrendo de cansaço e pensando: talvez estejamos em fases diferentes. talvez você esteja muitos passos a minha frente, mais madura, igual fisicamente e evoluida espiritualmente. eu sou o contrário, sempre fui, e acredito que com o passar do tempo eu tenha me tornado cada dia mais confusa.

as vezes eu juro te amar ensandecidamente  e tem dias que acordo pensando em qualquer outra coisa que não seja você; mas não se iluda, eu durmo treinando para não me decepcionar quando abrir os olhos. 
as vezes falo de você a quatro ventos, jurando que vou te deixar em paz e não vou te incomodar de nenhuma forma. e as vezes, como agora, eu incomodo mais cedo ou mais tarde.
peço desculpas, pela centésima vez por incomoda-la assim tarde da noite. 
vivo repetindo que a intenção não é te atingir pra te machucar, acho que já fiz muito isso... mas eu preciso me livrar desse sentimento de alguma forma e escrever é quase uma necessidade vital, você sabe. 
talvez você me ache imatura e egoista e insana e estupida e, e. e em determinados momentos eu realmente sou, como agora, talvez. como todas as vezes que eu te escrevo, talvez.
dia 25 será meu aniversário. completará um ano da minha babaquice - já escrevi sobre isso? - e eu ainda martelo a minha cabeça com isso, todos os dias. o por que eu não sei.
acabo de me cobrar uma estabilidade para com você e atraves disso te oferecer palavras concretas e fixas, jurar que se você largar a zona de conforto você terá uma vida de rainha, mas eu sei que não sou capaz de ser estável. eu sei que não sou a pessoa mais confiável do mundo. e eu sei que tudo o que eu senti um dia ainda se mantém muito aceso em mim e é por isso que escrevo pelo menos uma vez na semana pra você. 
eu queria dizer que, se você largar toda a sua segurança você a receberá em dobro no meu peito. eu realmente sinto isso: que quero te dar o maior apoio do universo apesar das palavras infantilizadas. mas eu não sou de mentir e confesso aqui que teríamos nossos mil problemas, e acredito que agora você não tenha problemas. confesso que mudaríamos muitas coisas. confesso que não seria fácil de começo nem de meio, mas confesso aqui que faria um buraco no tempo para que não tivesse um final. 
eu sou desequilibrada, quero um mundo ao mesmo tempo, quero poder ter tudo nas mãos. queria que você acompanhasse isso porque eu sou retardada para acompanhar o seu. sinto falta do seu cheiro, das suas palavras, do seu abraço, da sua sobrancelha erguida, do sorriso em canto de boca, das cicatriz espalhadas pelas pernas, da gargalhada alta. eu sinto falta de nos escondermos e você superar meu medo de galinhas.
eu sei que não sou seu porto seguro, talvez eu nunca tenha sido e seria pretensão dizer que posso ser. mas eu confesso que gostaria de ser, e você querer ser é o que te faz ser. 
eu tenho mil defeitos a serem consertados, tolice sua não ter me devolvido a fábrica desde a primeira festa - mas não, você topou mais um poema e mais um vinho no cais.
pela primeira vez eu não to chorando enquanto escrevo porque pela primeira vez eu me desmascaro pra você da forma que mais me dói: eu sei que não sou a pessoa que você quer ter do lado em todos os momentos, estou ciente disso. e respeito. respeite minha necessidade de te por pra fora aos poucos nesses primeiros 12 meses e nos mil meses seguintes - não é facil admitir que não sou o que você quer. mas eu gostaria de ser o que você... eu gostaria de ser algo pra você. e não me entenda mal, não quero tentar ser sua amiga de novo, já provamos que isso não deu certo e não dará se depender de mim. te olhar e não te ter seria o cúmulo da minha auto flagelação (ou do meu auto flagelamento?). 
você já leu vários monólogos. já me respondeu com roteiros fantásticos, muito mais do que os meus. aliás, inscreva-se para a FLIP, você tem um potencial singular e isso ninguém vai mudar - nem o tempo nem as companhias nem as bebidas nem a profissão. você é incrivel em tudo o que faz. e eu admiro demais essa capacidade de ser fantástica que você tem. 
quando eu crescer talvez eu seja metade do que você precisa, mas talvez nosso tempo seja realmente diferente e você realmente esteja a dois passos do paraíso, enquanto eu canto músicas antigas e ouço Aninha para aliviar a fome. 
em todos os outros textos eu tenho te pedido pra voltar. nesse eu te peço paciencia com as minha palavras. eu sei que elas são complicadas de serem digeridas, mas elas são sinceras, então tenha paciencia com o tempo delas. 

19/04/2013

"se eu não puder fazer você a pessoa mais feliz eu chego o mais perto disso possível. todos os inconvenientes a nosso favor - e diferenças sim mas nunca maiores do que o nosso valor. logo eu que sempre achei legal ser tão errado..."

8 comentários:

  1. Não deve se desculpar por amar! Nunca.

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    1. eu me desculpo quando esse sentimento só traz (trás?) coisas ruins a quem eu não quero machucar (:

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  2. E como você sabe se são coisas ruins?

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    1. se fossem coisas boas seriam vividas e não só escritas. e talvez não incomodassem tanto. as coisas boas não são escondidas.

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  3. Concordo com a primeira parte. mas você não é o outro!

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    1. se puder explicar a situação então e me fazer entender como é ser o outro, agradeço.

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  4. Impossível ser o outro! talvez entender, não. mas entender o outro exige um esforço duplo: o esforço compreender os motivos dele e o esforço de não esquecer os seus.

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