quarta-feira, 6 de março de 2013

lousa de giz português.


quero algo além dessa nudez a quatro paredes. quero olhares sexualmente concedidos  quero mãos que sentem o calor alheio sem tocar. quero o vapor barato da pele e o cheiro de gozo. quero uma insensatez comum e cotidiana e conservadora dentro das telas. quero a impermissão para a penetração da ideia alheia. quero que o colorido se esvaia diante do branco por ter todas as cores e intimidar o primário. quero que o peito seja dito em outro tom. quero expor todo o clichê que se desamarrou da razão. 
que as coisas funcionem de forma a dar errado dando certo. que os tijolos se decomponham assim como as idéias debaixo da terra e que essas ideias sejam algo além da terra. que toda a vergonha se resuma ao errado e que o errado se resuma ao limite e que o limite se resuma a não existir. que sejamos nossos proprios co-autores e espectadores da única fila. que tudo vá além das folhas de segunda-feira e que o calendário se espalhe e se confunda e se sufoque e perca os dias e os segundos e os meses que carregariam filhos, dores, primaveras e verões.
quero que as palavras saiam e venham e desenhem corações malditos e horas exatas e placas hipócritas e conversas contraditórias. quero que as caixas de som exalem melodias chiadas e gritos surdos. quero os jornais anunciando a morte do meu passado que deixei pra trás. retoricamente, redundantemente  que as coisas não existam e que as inventemos pessoalmente e diariamente. e mente, 
mente, 
mente por coisas boas e complementos, pretextos, contextos isolados de uma imagem que não pode se apagar. 
e lampadas que se acendem e se apagam, e animações que não passam de amarelas, e correções que de tão sorridentes batem os dentes e são agora banguelas.
quero cordões de lógicas sofrendo abusos para que se rompam e se tornem belos. telas em branco, belas. belas meninas, pelos. pelos no corpo que quero além dessa nudez vulgar a quatro paredes.
vulgar por ser visceral de menos e se tornar intima quando não se é, porque o medo do outro em adicionar é tão obsesso e absurdo e incesto e certo que se eu parar pra pensar me torno uma pessoa perdida. eu estava falando dos pelos?
quero que pessoas se percam, se iludam, se machuquem, se curem. quero curas aleatórias assim como as palavras postas nas mesas. quero fotografias espalhadas pela casa como lembranças espalhadas pelo corpo. os arranhões, os tombos, troncos, topografias. grafias, girafas. 
quero expor todo o clichê que se desamarrou da razão e agora termina o que nunca começou de forma original, o que se é normal, se põe em pé. e descubro que meu vocabulário é tão extenso quando um pacote de biscoitos.
se eu pudesse nunca parar, eu nunca pararia. 
quero explicações, quero discussões, quero exposições. e bebida de graça, e graças e, e, e, e... 


6/3/2013

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