quinta-feira, 21 de março de 2013

instantâneo?


Ontem eu o vi passar.
Passou caminhando lento, como se ninguém que te pára fizesse seu caminho mais comprido. Vi passar leve e descontraído.
Ontem o vi cantar.
Cantava gritando, expelindo todo o gozar das palavras.
Então te encarei, latejante, esperando por nossos olhos cruzarem, mas a luz não era meu cenário perfeito no instante. 

Platonismo.
Senti tão forte como se a gente já tivesse se visto, ou se falado ou, ou. 
Senti que eu te gostava forte a cada momento, 
enlouquecido
forte
delirante
Mas a luz não era meu cenário perfeito no instante.

Você veio.
Cheio de graça, malemolência que só a praia pode oferecer.
Nos cumprimentamos, você chegou perto, e foi embora.
Amoleci
Enrubesci
Apaixonei mais uma vez.

E as palavras são para que você não se perca no meu infinito interno.
Não que o momento será guardado: daqui a pouco passará.
Mas é que, 'oi, eu sou a Brisa',
E não consigo mais te ignorar. 

18/03/2013

domingo, 17 de março de 2013

antesdachuva.


A cada dia que passa eu me sinto com menos tempo. É coincidência demais pra ser só isso. Isso por isso, sabe? Não acredito mais. Tô sentindo que os textos continuarão onde estão por mais milênios até que um novo projeto seja feito e eles possam ser lidos como literatura clássica, talvez. E as pessoas voltem a ser elegantes 

e, 

e.

Sinto, a cada dia que passa, que meu mundo está desabando e minha cabeça dói tão intensamente que parece que estão tirando tudo o que tem nela para que não seja perda de informação - quase um HD externo de mim. O que não seria de todo ruim, desde que eu tivesse acesso à ele as vezes...
Tenho acreditado e aceitado e esnobado coisas demais em mesma proporção. Tenho tido tudo em muito pouco tempo, desde coisas incríveis a coisas medonhas, como se em menos de vinte anos eu tivesse tendo um intensivo da vida pela falta de tempo que ainda me sobra. Não sei ao certo o porque dessa sensação visceral que me assola de repente, mas está me carcomendo muito concretamente para que seja ignorada. E até voltei a escrever rápido, sem pensar, sem sentir muito. Talvez, durante a noite tenham me transformado em um robô pela falta de amores que a vida tem me oferecido. Talvez seja apenas uma fase dentre tantas que me fazem querer escrever e ter medo da chuva que ameaça cair ensandecidamente pela e na minha janela, encharcando meu chão com um teto, encharcando meus pés que pisarão corridos na rua.  
T a l v e z.
E a hora não passa rápido o suficiente para que eu saia de casa antes da chuva.

06/03/2013

sábado, 9 de março de 2013

as palavras.


Fico aqui me questionando: se eu me envolvesse com a 'escória' da humanidade (e isso é extremo redundância) será que eu me contentaria com menos e será que esse menos me daria mais e será que esse mais seria o suficiente e será que eu quero o suficiente? 
As coisas têm tanta interrogação que eu já não sei como achar as exclamações gritantes nelas contidas.

Sobre café e cigarros:
O café esfria
O cigarro queima
Uma hora tudo acaba.

E talvez essa seja minha única certeza dentro dessas confusões amorosas e financeiras. Mas talvez elas sejam a mesma confusão e eu precise discenerá-las para que o drama se torne permanente. 
Ou precise queimá-las, pouco a pouco, muito num só instante. 
Drinks - preciso de mais drinks e de mais putas e de mais palavras. 
'Você é uma artista.'
Artista porque? Por que eu escrevo? Sou artista, não santa. Tenho todos os defeitos do mundo para por todas as dores no papel. 
Bebo demais, fumo demais, transo de menos. São esses os piores defeitos de uma mulher? Grito, gasto, corro e gemo 
- são essas as extravagancias que uma dama não deveria ter? Eu tenho todas as caracteristicas negativas de um sujeito bom. E de um sujeito ruim, eu tenho 
todas 
as 
caracteristicas 
sem 
distinções. 

Tem dias que eu faço coisas que quando me pego fazendo-as e me corrijo imediatamente e me pergunto estou realmente fazendo aquilo... 
Desde os meus dez anos amo as palavras - e é a única coisa a qual me mantenho fiel. E talvez essa seja outra certeza, a de nunca deixá-las.
E me acho um tremendo psicopata pelos meus feitos.
  

04/03/2013

quarta-feira, 6 de março de 2013

lousa de giz português.


quero algo além dessa nudez a quatro paredes. quero olhares sexualmente concedidos  quero mãos que sentem o calor alheio sem tocar. quero o vapor barato da pele e o cheiro de gozo. quero uma insensatez comum e cotidiana e conservadora dentro das telas. quero a impermissão para a penetração da ideia alheia. quero que o colorido se esvaia diante do branco por ter todas as cores e intimidar o primário. quero que o peito seja dito em outro tom. quero expor todo o clichê que se desamarrou da razão. 
que as coisas funcionem de forma a dar errado dando certo. que os tijolos se decomponham assim como as idéias debaixo da terra e que essas ideias sejam algo além da terra. que toda a vergonha se resuma ao errado e que o errado se resuma ao limite e que o limite se resuma a não existir. que sejamos nossos proprios co-autores e espectadores da única fila. que tudo vá além das folhas de segunda-feira e que o calendário se espalhe e se confunda e se sufoque e perca os dias e os segundos e os meses que carregariam filhos, dores, primaveras e verões.
quero que as palavras saiam e venham e desenhem corações malditos e horas exatas e placas hipócritas e conversas contraditórias. quero que as caixas de som exalem melodias chiadas e gritos surdos. quero os jornais anunciando a morte do meu passado que deixei pra trás. retoricamente, redundantemente  que as coisas não existam e que as inventemos pessoalmente e diariamente. e mente, 
mente, 
mente por coisas boas e complementos, pretextos, contextos isolados de uma imagem que não pode se apagar. 
e lampadas que se acendem e se apagam, e animações que não passam de amarelas, e correções que de tão sorridentes batem os dentes e são agora banguelas.
quero cordões de lógicas sofrendo abusos para que se rompam e se tornem belos. telas em branco, belas. belas meninas, pelos. pelos no corpo que quero além dessa nudez vulgar a quatro paredes.
vulgar por ser visceral de menos e se tornar intima quando não se é, porque o medo do outro em adicionar é tão obsesso e absurdo e incesto e certo que se eu parar pra pensar me torno uma pessoa perdida. eu estava falando dos pelos?
quero que pessoas se percam, se iludam, se machuquem, se curem. quero curas aleatórias assim como as palavras postas nas mesas. quero fotografias espalhadas pela casa como lembranças espalhadas pelo corpo. os arranhões, os tombos, troncos, topografias. grafias, girafas. 
quero expor todo o clichê que se desamarrou da razão e agora termina o que nunca começou de forma original, o que se é normal, se põe em pé. e descubro que meu vocabulário é tão extenso quando um pacote de biscoitos.
se eu pudesse nunca parar, eu nunca pararia. 
quero explicações, quero discussões, quero exposições. e bebida de graça, e graças e, e, e, e... 


6/3/2013

sábado, 2 de março de 2013

Uivo - e outros poemas.


é lua cheia, amor.
e eu estaria uivando por você pra te lembrar das noites bonitas que tivemos. e se fosse o caso,
uivaria no por do sol e no nascer do dia.
uivaria para que você lembrasse todos os dias que eu te acredito ser incrível. e eu comecei a escrever com uma 
sensação
muito diferente da que eu tenho agora.
a musica mudou e o timbre da musica mudou - 
toda a sensibilidade, as virgulas, as notas vocais.
o que era calmo agora é tempestade (em copo d'água). os dedos estão frenéticos e as palavras, impulsivas. 
'Oh, queridão, pode devolver meu isqueiro?!'
e estão soltas, todas as letras envoroçadas.
virarei os olhos todas as vezes necessárias para que as coceiras passem e eu pare, pelo amor: 
que olhos lindos você tem


01/03/2013