segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Cinema.


"Eu não estou interessada em dinheiro - eu só quero ser MARAVILHOSA!" (M.M.)

Estou sentindo saudades da Laura e da Luiza. Acredito que elas precisem de um novo encontro, ninguém merece ter o romance começado em um bar. Ninguém além de mim, adoro romances de bar. Não quero o mesmo nome pra elas também, cansei da Laura e cansei da Luiza. São muito metódicas, muito cansativas. Elas não se aventuram da forma que deve, são apenas audaciosas verbalmente e eu estou cansada de palavras dentro das minhas palavras. Elas me roubam a cena da forma mais patética possível.
Pensei em duas pessoas se apaixonando fisicamente - TESÃO! Pensei em um amor carnal demais para passar de um conto de duas páginas. Pensei em nomes aleatórios e nenhum deles serve. Pensei em diálogos furiosos. Pensei em 'eu te amo' apenas na cama e fora da cama, depois do orgasmo, a quase indiferença. 

Estavam em casa, ambas as pessoas distraidas com tudo, bebendo cervejas baratas (sai do bar mas continuo me alcolizando). Quero que elas se olhem sempre, sem promiscuidade a principio e os olhares demorem o tempo exato de para se tornar vulgar. Quero investidas infantis e indiretas diretas demais para não serem entendidas. Não quero dialogo de começo. Quero que as conversas sejam avulsas, espontaneas, sobre o passado, futuro, presente, paçoca. 
Quero que cheguem perto aos poucos e nada aconteça. Quero que alguma delas fique extasiada de repente e tome ciencia  (de repente) que sente uma atração sexual forte. E que essa pessoa tire a blusa, sem reviravoltas e impulsiva demais para pensar na consequencia que isso pode ter. Quero que ambas tirem a blusa sem uma palavra pronunciada. E que ao fundo toque Chopin. 
Quero que se beijem, famintamente, vorazmente e se separem para se olhar mas não pensar sobre o que estão fazendo. Quero que a intensidade seja reciproca; mãos em todo o corpo quase todo coberto de roupas que já estão molhadas. Quero cabelos despenteados e os livros caindo no chão. Quero culpa em toda a cena: muita culpa, muitas linguas. Quero a calça escorregando e o sutiã abrindo sem explicação. Não quero explicações! 
Os olhos procurando detalhes, os olhos procurando os cheiros. 
Quero a chaleira apitando e as gargalhadas interrompendo toda a cena - o fogo se apagando, e as peças espalhadas pelo chão. Quero fios de navalha internos, cortando todos os musculos que se erotizam. Quero que parem mais uma vez, com os sorrisos no rosto e continuem logo em seguida, com a força duplicada. Quero pessoas rolando no azulejo, sentindo frio, tremores. Quero a calcinha descobrindo todos os segredos. Quero olhares atentos a todos os pelos - cameras mentais, filmagens intelectuais.
Quero a cama mexendo em sequencias ritmadas. Quero gemidos, muitos gemidos! Quero cobertas no chão, a lata de cerveja derrubada, as cinzas de cigarro espalhadas. Quero os livros se manchando e se marcando e amassando, assim como os corpos contorcidos na cama.

Quero um final alternativo. 

18/02/2013

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