terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Doismile13.


Eu tenho sedes. Tenho sedes incontroláveis. E esse ano que se passou me dei conta que são realmente incontroláveis, e toda a minha estupidez e arrogancia e intolerancia derivam da minha ansiedade em saciar essa sede. Sede de coisas novas adicionando-se as antigas, sedes de faxinas todos os dias, sede de momentos de lágrimas eternas para limpar a alma, sede de sorrisos abertos pra adoçar a vida, sede de força em cada segundo. Me dei conta que odeio quem não tem vontade de viver e dorme o dia todo pra ver o tempo passar. Não suporto e nem quero suportar acomodações, preguiças. Resolvi fazer faxina mais uma vez. E dessa vez não quero pessoas que tenham consideração pela relação que tivemos. Aceito, de bom grado, apenas pessoas que tenham respeito pela relação que temos.
Gosto de ver as pessoas reagindo por instintos; ouvir as musicas e mexer os pés, cair a chuva e se entregar, ler e sorrir, andar e se vestir. Gosto de ver as pessoas correndo enlouquecidas pra chegar até quem se ama. Gosto de ve-las com pressa de matar saudades. Gosto do gosto da espera se acabando. Gosto do tempo se levando, e levando a gente, e carcomendo nossas vontades.
Os cafés de manhã, os cigarros das tardes.
Gosto das letras feias e dos dentes tortos e dos passos largos e dos ombros erguidos e do relogio que não roda. Gosto dos meus defeitos, que ninguém quer tê-los e é o que me compoe. Gosto dos meus gritos e das minhas grosserias. Mas o intuito não é machucar, é apenas alertar pro que espera lá fora sem passar as mãos nas costas como qualquer um é capaz de fazer. Gosto dessa forma fria que admira o mundo em uma noite pra nunca mais ter que ve-lo novamente da mesma forma.
Mais um ano se passou, esse verão eu fiquei preta vermelha, quase da cor da luxuria. Quase personificando meu pecado.

08-01-13

Um comentário:

  1. Adorei... Belíssima crónica, profunda, confusa e deliciosa de se ler... Sua escrita é um mistério bom de se decifrar ou tentar, tentando decifrar um pouco de cada um de nós, vc não é uma pessoa é uma corrente de sentidos e ideias feito vento soprano poesia.

    ResponderExcluir