quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Dias de Luta, Dias de Glória.


Pai, eu sei que não são muitas vezes que a gente lembra de uns momentos juntos. Primeiro porque eles nunca foram aos montes para que fosse lembrado. Segundo porque eu não lembro mesmo deles.
Mas agora, sozinha em casa fazendo a janta, pensei num sabor diferente para o meu arroz. E lembrei que, há alguns bons anos atrás, quando minha mãe morava onde eu moro agora, você ficou comigo e com meu irmão até que minha avó chegasse do trabalho. Você, eu não me lembro exatamente porque (e talvez nem seja exato o fato) topou ficar comigo e com meu irmão. E de noite, quando a gente estava com fome, você foi esquentar o arroz da geladeira, e nesse momento, esperei por um sabor diferente. E você me disse que, com toda certeza, o arroz ficaria diferente porque você o esquentaria com manteiga derretida e não com água.
"Tem que ficar ligada, maluca! Tem que aprender a fazer as coisas com um gosto diferente, ta ligada?! Olha o pai aqui, aprende aqui." 
E eu olhei, admirada o arroz até ficar quente. E quando você pôs a mesa e eu experimentei a sua culinária distorcida pensei que aquele era o melhor arroz*!
Hoje, pai, eu lembrei disso porque, apesar dos momentos terem sido poucos eles existiram, e são tão cientes na minha cabeça que tornam-se diários e talvez eu nem saiba: obrigada por eles. 

*O melhor arroz, porque o melhor risoto sempre será o da minha mãe, com frango, bacon e muito queijo como ela bem sabe. 

17/01/2013

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