terça-feira, 29 de janeiro de 2013

você se foi até em sonho.



Eu sonhei com você essa noite. 
Sonhei que a gente ainda não se falava, e isso tornou o sonho tão real! Sonhei que estávamos numa casa, quase um porão, e descíamos escadas e escadas e escadas para chegar até lá, 
e no final desse eterno descer havia um quintal gramado lindo, implorando para ser cuidado. 
Foi quando eu olhava amargurada para esse lado que você chegou já indo embora por ter me visto lá. Dizia e repetia que não gostariam de nos ver juntas e que você queria ficar mas não podia porque eu estava lá. 
E seu cachorro também estava lá. 

Eu tenho medo de um dia esquecer desse sonho. 

Você ficou, brava, discutindo com o meu silencio que te implorava a gente. 
Então chegaram, me machucaram (tanto fisicamente quanto verbalmente), principalmente quando, 
você calada, concordava com as ações estupidas da Interrupção e mantinha a minha esperança da gente cada segundo mais ausente. 
Até a noite passada eu estava bem. 
Não sei o que me fez sonhar com você. 
Seu nome tem se ausentado das minhas folhas, seu cheiro das minhas manhãs, e até pensei em fazer café com canela para apresentar para outra pessoa. Mas você voltou no meu incosciente que pareceu tão concreto de acordo com as reações tidas. 
Acredito que tenha tido o sonho para provar pra mim mesma que a única pessoa machucada na situação seja eu, 
e que não adiantam corpos de outrem 
ou bebidas amnésicas 
ou o tempo tão canalha e devagar - você está tatuada em mim tão corporalmente a ponto de me olhar no espelho e esperar te enxergar um pouco mais. 
Eu sinto muito, 
tanto por você como por mim, 
e acredite, eu realmente sinto, 
mas eu te amo. 
... foi terrível te ver ir embora, de cabeça baixa no sonho. Pelo menos de verdade você está com a cabeça erguida - e eu não sei o que me frusta mais. 

29/01/2013

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

N A D A, nada³ pessoal.


Decidi gostar de ninguém dessa vez. 
Decidi fazer isso sozinha, seja lá o que você entenda disso. 
Fazer o meu café, escolher a sobremesa, me acordar de manhã e me abraçar no meio da noite. 
Decidi fazer isso dar certo dessa vez. 
Eu sei porque me atraso, sei porque levo meus tombos, sei porque tenho minhas dividas, sei quando quero ir onde e se eu não quiser mais, eu volto. 
É assim, vou tentar me entender aos poucos para que isso dê certo, dessa vez. 
Estou me centrando todos os dias pra gostar de ninguém - da hora que acordo até dormir meu pensando é não pensar em você. Não me concentrar em você.
Pode parecer egocêntrico ou sofrido ou egoísta ou romântico  ou, ou. Mas não me interprete mal, só preciso sair um pouco dessa zona de conforto que é querer você de forma intensa. 
O problema está em que você me faz escrever. 
Poucas vezes, porque me deixa sem palavras, me consome as frases, e isso me irrita a ponto de não conseguir chegar no papel. 
Mas quando eu chego, eu realmente chego, 
e isso me anima para gostar de você de novo. Só que toda vez que gosto de novo de você as coisas saem da linha e voltam pras curvas, que por um acaso são suas curvas, e isso me enlouquece de tal forma ao nível de zero a querer ter você, eu quero ter você.
Ou talvez eu nem queira tanto, mas esse pouco já me faz pensar nas palavras soltas no branco e eu adoro essa sensação! 
É muito insano tentar a sanidade através da loucura de escrever?! 

23-24/01/2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Nada Pessoal (consegui)


Ela vem me perguntar sobre o amor. 
O amor? Eu não sei sobre o amor. 
Estou amando nesse exato momento, talvez, mas não sei se isso é amor. 
Desejo intenso, preocupação latente... Isso é amor? 
Eu tremo dos pés a cabeça, penso sempre que posso e quando não posso, penso também - isso é amor? 
Não sei o que é amor, hoje não poderei ajuda-las. 
Hoje meu conselho é sempre descartável; porque, hoje, como um ser racional, tento transformar o amor em palavras, 
e neste caso, 
podem joga-lo fora. 

17/01/2013

Dias de Luta, Dias de Glória.


Pai, eu sei que não são muitas vezes que a gente lembra de uns momentos juntos. Primeiro porque eles nunca foram aos montes para que fosse lembrado. Segundo porque eu não lembro mesmo deles.
Mas agora, sozinha em casa fazendo a janta, pensei num sabor diferente para o meu arroz. E lembrei que, há alguns bons anos atrás, quando minha mãe morava onde eu moro agora, você ficou comigo e com meu irmão até que minha avó chegasse do trabalho. Você, eu não me lembro exatamente porque (e talvez nem seja exato o fato) topou ficar comigo e com meu irmão. E de noite, quando a gente estava com fome, você foi esquentar o arroz da geladeira, e nesse momento, esperei por um sabor diferente. E você me disse que, com toda certeza, o arroz ficaria diferente porque você o esquentaria com manteiga derretida e não com água.
"Tem que ficar ligada, maluca! Tem que aprender a fazer as coisas com um gosto diferente, ta ligada?! Olha o pai aqui, aprende aqui." 
E eu olhei, admirada o arroz até ficar quente. E quando você pôs a mesa e eu experimentei a sua culinária distorcida pensei que aquele era o melhor arroz*!
Hoje, pai, eu lembrei disso porque, apesar dos momentos terem sido poucos eles existiram, e são tão cientes na minha cabeça que tornam-se diários e talvez eu nem saiba: obrigada por eles. 

*O melhor arroz, porque o melhor risoto sempre será o da minha mãe, com frango, bacon e muito queijo como ela bem sabe. 

17/01/2013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Nada Pessoal.


Você, querida, tem tudo o que uma menina precisa ter. Só desejo intensamente achar algo mais você em você.
Não quero molde restante de tudo o que as meninas acham demais e quando se juntam em um único modelo cumpre todas as necessárias quantidades.
Não quero que você se recarregue todos os dias para fora da minha cama com o passar leve quase para não me acordar, e quando eu abrir os olhos você esteja linda em um sorriso casual, com o copo de café e o cigarro no canto da boca.
Não quero ter que me deparar com algo de extrema perfeição aonde eu sinta tudo o que já perdi. Não quero que você seja tudo o que alguém deseja. Quero que você apenas seja algo tão único que eu não me permita esquecer em menos de dois tempos. Dois tempos para que o primeiro seja muita raiva e o segundo um pouco mais nostálgico, quase adorável.
E você me pergunta porque eu já vejo um final entre nós. E é fácil; primeiro, porque vejo o final em tudo o que começa. Segundo porque você atingiu tal grau de singularidade comum que hora ou outra achará alguém que admire todas as suas curvas, do sorriso ao rebolado, e você gostará disso, desejará os holofotes e me deixará abraçada com uma garrafa de cerveja - nada mais justo, afinal, apesar de você ser o que qualquer um procura, eu não fui qualquer um e quis o que só poderei enxergar depois que você for embora. 
Então, para que eu te ame um pouco mais, não fique. 

15/01/2013

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Doismile13.


Eu tenho sedes. Tenho sedes incontroláveis. E esse ano que se passou me dei conta que são realmente incontroláveis, e toda a minha estupidez e arrogancia e intolerancia derivam da minha ansiedade em saciar essa sede. Sede de coisas novas adicionando-se as antigas, sedes de faxinas todos os dias, sede de momentos de lágrimas eternas para limpar a alma, sede de sorrisos abertos pra adoçar a vida, sede de força em cada segundo. Me dei conta que odeio quem não tem vontade de viver e dorme o dia todo pra ver o tempo passar. Não suporto e nem quero suportar acomodações, preguiças. Resolvi fazer faxina mais uma vez. E dessa vez não quero pessoas que tenham consideração pela relação que tivemos. Aceito, de bom grado, apenas pessoas que tenham respeito pela relação que temos.
Gosto de ver as pessoas reagindo por instintos; ouvir as musicas e mexer os pés, cair a chuva e se entregar, ler e sorrir, andar e se vestir. Gosto de ver as pessoas correndo enlouquecidas pra chegar até quem se ama. Gosto de ve-las com pressa de matar saudades. Gosto do gosto da espera se acabando. Gosto do tempo se levando, e levando a gente, e carcomendo nossas vontades.
Os cafés de manhã, os cigarros das tardes.
Gosto das letras feias e dos dentes tortos e dos passos largos e dos ombros erguidos e do relogio que não roda. Gosto dos meus defeitos, que ninguém quer tê-los e é o que me compoe. Gosto dos meus gritos e das minhas grosserias. Mas o intuito não é machucar, é apenas alertar pro que espera lá fora sem passar as mãos nas costas como qualquer um é capaz de fazer. Gosto dessa forma fria que admira o mundo em uma noite pra nunca mais ter que ve-lo novamente da mesma forma.
Mais um ano se passou, esse verão eu fiquei preta vermelha, quase da cor da luxuria. Quase personificando meu pecado.

08-01-13