sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O primeiro depois do fim do mundo.


As vezes eu me sinto um gato: canso das vidas e mudo.
É por isso que não gosto de humanos, eles têm apenas uma vida e conseguem ser infelizes e foder com ela a todo segundo, sem mudar, eles seguem com ácidos na boca, de forma a se carcomer os dentes e não se poder sorrir.
É por isso que eu me enojo com humanos. Eu não, eu sou um gato... Eu tenho sete vidas e intercalo com elas sempre que quero.
Agora, por exemplo, me li em Bukowski e penso que meus vizinhos não me querem batendo até essa hora. Mas é nessa hora que me dá vontade de bater.
E parece que a vontade nunca mais termina mesmo ignorando-se a logica das palavras batidas e compassadas, musicalizadas. Batidas.
Pensei nas suas pernas agora, de novo.
Queria ter escrito sobre elas enquanto as observava, atentamente, acredite, muitíssimo atentamente.
As pernas esguias, que gosto tanto quanto gosto da palavra 'esguia'. As suas pernas brancas, rabiscadas... Mas quando estava-as observando não consegui ter papel e caneta, e mesmo se os tivesse não poderia usa-los porque uma moça estava a nossa frente falando coisas que repetirei se eu lembrar, e eu deveria lembrar. Mas eu lembro das suas pernas. E da moça que você, corretamente, observava atentamente. Mas você sorria, e eu não conseguia não olhar seus dentes grandes, brancos, na boca perfeitamente desenhada, que acolhe os dentes perfeitos completamente bem.
É o primeiro sobre/para você. E eu não posso me controlar quando você salta pelos meus olhos fechados. E é esse o motivo de eu bater, alto, até essa hora.

22/12/2012

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