quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

é pra escrever melhor.


Eu preciso das pessoas pra escrever.
Sentar em um banco de praça e conversar com qualquer um que parar não é bondade nem intromissão: é necessidade.
E eu peço desculpas adiantadas àqueles que perguntarei demais sobre coisas demais. Mas perguntarei mesmo.
Preciso criar personagens, preciso me ver exteriormente, em pessoas opostas ou palavras riscadas.
Eu não sou mais ou menos humana por uma conversa com estranhos, eu sou mais ou menos escritora com uma conversa com estranhos.
E isso sustenta meu ego, não a solidão de vocês.
Entendam que eu não sou uma boa pessoa pra conversarem: eu vou transformar todos em contos! Vou dar musicalidade as falas de vocês, vou dar rimas no final das frases. Vou colocar palavrão em boca de santos, vou colar maquiagens em morador de rua.
Eu vou enfeitar você da forma que eu quiser. Vou te dar beijos quando nem nos abraçamos. Vou te dar tapas quando nem nos falamos.
Eu te observarei mais do que você deixará.
Eu te consumirei por inteiro e quando você quiser parar de comentar eu darei continuidade sem que você saiba.
Meu papel não é ser humano. Não é ser legal. Não é ser comunicativa.
Meu papel é carcomer toda e qualquer minima história ou cacoete que você tenha.
Meu papel é fazer da sua estoria a minha história, e ganhar elogios em cima de tudo o que você se dispôs.
Eu não sou uma boa pessoa pra você conversar, eu só preciso escrever melhor.
12/12/12

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