quarta-feira, 28 de julho de 2010

Nada pessoal - terno e vestido

é parte de você em mim que um dia eu vou expor e explicar.
direi o que às pessoas que nunca nos conheceu de verdade? direi sobre o que, apesar da idade?
as coisas parecem que não fluem mais da forma que eu tanto desejei...
consequencias me excitam! causas me excitam! você me excede!
as palavras estão repetidas, a pessoa está repetida, a resposta a uma pergunta nunca feita ainda é a mesma...
eu tô no escuro! eu tô sem rumo, sem curso, sem motivo. eu tô sem sabor, eu tô sem vergonha.
eu nem sei como eu sou, mas eu sou.. eu sou porque sempre repito o que não sei.
e o que eu sei!? eu sei que te quero.
sei também que quero viver mais do que você está me proporcionando e que eu posso isso.. eu não sou atrofiada, nem minhas vontades são limitadas, eu posso mais porque eu quero mais!
eu sou colorida em meio ao preto e branco.. eu sou a deselegancia em festas de gala!
a questão não é ser.. ser é fácil. e eu sou.
o bloqueio é sentir-se ser, e eu não tô mais sentindo prazer em fazer coisas diárias, que antes eu fazia e gozava de alegria.
eu não tô mais sentindo o meu peito arfar com as notícias do nosso meio, não tô mais sentindo minha garganta fechar com os toques inesperados, nem o meu ego preencher meu vazio quando eu sei que nada pode me acontecer.
eu não estou mais pulando os meus obstaculos, não estou mais pisando nas minhas falhas, não estou mais crescendo com as minhas derrotas... se todas as minhas causas não sugerem mais consequencias, o que adianta eu fazer, seja lá o que for?!
eu tô no escuro, mas eu não to me sentindo sozinha, nem com medo... eu tô no escuro e tô me sentindo confortável sobre pregos de impossibilidades.
eu tô observando meus textos e revivendo as minhas dores. eu tô deliciando as minhas (tão amadas) reticencias. eu tô amando!
estou degustando meus vinhos carteados, estou salivando perante as minhas frases sorteadas.
estou exausta dentro de mim. cansei de viver essa minha tortura imediata, repentina e permanente.
qual minha forma de escrever? eu a perdi...
qual minha forma de falar? eu a perdi...
qual minha forma de gostar? eu a vendi...
troca-se um coração gasto e frígido por um rim em boas condições, assim não sentirei mais esse vazio e beberei mais prazeres da vida.
troca-se a minha cama histórica por uma parede vazia, assim deixarei de lado as noites mal dormidas e escreverei histórias.. se eu não as quiser mais, eu derrubo o meu muro!
troca-se minha aliança com o destino por caixas de papelão já usadas... troca-se, vende-se, ofereço! e não aceito devoluções! estou disposta a mudar mais uma vez essa minha fome de letras.
eu não quero mais essa derradeira verdade, essa brincadeira maldosa, esse peso sobre a minha influencia.
o espelho me condena e me mostra... mas eu tomo um banho quente, e nessa face manchada pinta-se um sorriso...
eu estou bem, afinal, eu acredito nas minhas mentiras internas.. eu aprendi a me dar a mão e levantar! ninguem mais sabe quando meu caos interior está transbordando, porque eu faço das minhas enchentes uma grande atração... ninguem mais sabe quando essa minha loucura fisica transpassa o limite da carne... ninguem mais sabe, ninguem nunca soube, e ninguem nunca saberá atuar como eu dentro de mim. O palco é meu, e é ali que eu me sinto em casa...
minha vida muda, mas não radicaliza.
eu primeiro troco a camiseta, depois a calça... se eu ja tirar o terno e puser um vestido, eu embaralho minhas idéias e perco meu jogo.
troca-se meu cenário por uma pláteia
...devolva-me.

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